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A
cada ano, centenas de baleias, botos e golfinhos são encontrados
encalhados, vivos ou mortos, em praias de todo o mundo. O encalhe
de cetáceos, vivos ou mortos, geralmente atraem muitas pessoas,
movidas pelo interesse e a simpatia que nutrem por esses animais.
O encalhe de cetáceos tem nos fascinado através dos tempos. Por
que esses animais encalham, o que podemos aprender com esse infortúnio
e o que podemos fazer sobre isso ?
O
ENCALHE
O que podemos
aprender com os encalhes ?
Cetáceos
que morrem ou encontram-se debilitados podem ser trazidos passivamente
para a costa pela ação dos ventos, das ondas e/ou das correntes.
Uma
carcaça de cetáceo na praia pode fornecer informações valiosas
para os pesquisadores tais como: anatomia, história natural, genética,
doenças, parasitas, predadores, contaminantes e ecologia alimentar.
Cada evento de encalhe pode ser considerado como uma potencialmente
oportunidade única para aprender alguma coisa, a qual não poderia
ser conhecida de outra forma. O encalhe de cetáceos pode também
indicar, inclusive, a confirmação de espécies de ocorrência provável
ou indicar novas áreas de distribuição das espécies.
Por
que os cetáceos encalham ?
As
possíveis causas naturais e não naturais que levam os cetáceos
a morrerem ou ficarem incapacitados incluem:
Causas
naturais:
Þ
Condições
oceanográficas e climáticas anômalas
Þ
Áreas
com amplitudes de marés altas
Þ
Distúrbios
geomagnéticos (os cetáceos parecem ter um senso extra denominado
biomagnetismo, o qual capacita-os de detectar variações no campo
geomagnético da Terra. Eles podem utilizar o campo geomagnético
como um mapa para navegar. Esses campos estão sempre mudando e,
ocasionalmente, os cetáceo podem se tornar confusos e nadarem
para a costa)
Þ
Distúrbios
de ecolocalização (mecanismo de percepção que consiste na localização
e identificação de objetos e presas bem como a definição de sua
orientação através de um biossonar, sem ter necessariamente utilizar
a visão ou outros sentidos)
Þ
Topografia
de fundo complexa
Þ
Perseguição
de presas em águas rasas
Þ
Forte
coesão social
Þ
Injúrias
causadas por predadores ou outros mamíferos marinhos
Þ
Doenças
Þ
Parasitas
Þ
Morte
natural
Causas
não naturais (injúrias provocadas por humanos):
Þ
Enredamentos
associados com pescarias
Þ
Capturas
intencionais
Þ
Fome
causada pelo decréscimo dos suprimentos alimentares devido a intensas
operações de pesca locais
Þ
Colisões
com embarcações
Þ
Contaminantes
Þ
Derramamento
de óleo
Þ
Biotoxinas
Determinar
a causa exata do encalhe pode ser bem difícil. Dois ou mais fatores
podem
ter operado simultaneamente e, dependendo do estado de
decomposição da carcaça, os sintomas e patologias podem
se tornar obscuros.
Os
encalhes em massa - definido quando mais de um cetáceo encalha,
com exceção da dupla fêmea/filhote - são os mais intrigantes,
uma verdadeira charada para os pesquisadores.
Algumas
vezes os animais encalham em massa não tendo uma aparente razão
e apresentam bom estado de saúde. Em alguns casos, estreitos e
fortes laços sociais podem estar envolvidos. Alguns cetáceos,
notavelmente os pertencentes à subfamília Globicephalinae, são
os mais susceptíveis aos encalhes em massa do que outros. Os laços
sociais existentes entre os membros dessa subfamília são tão fortes
que os animais podem se tornar relutantes em abandonar uns aos
outros. Nessa situação há ausência de intervenção humana. No entanto,
em outros casos de encalhes em massa cuidadosamente examinados,
foram descobertas evidências patológicas de doenças generalizadas
ou parasitismo que podem ter sido casuais ou contribuintes.
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Daniela
Weil
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Possivelmente
os encalhes em massa poderão ter sua freqüência incrementada devido
a causas antropogênicas como por exemplo, poluentes organoclorados
que debilitam o sistema imunológico.
Os
encalhes em massa proporcionam aos pesquisadores uma visão geral
de certos parâmetros populacionais tais como razão sexual, estrutura
de idade, taxas de gravidez e lactação e relacionamentos dentro
do grupo.
Entre 1972
e 1997, foram registrados sete casos de encalhes em massa na costa
brasileira envolvendo as seguintes espécies: cachalote, falsa-orca,
golfinho-cabeça-de-melão, baleia-piloto-de-peitorais-curtas, golfinho-pintado-do-atlântico
e golfinho-de-dentes-rugosos.
O
que deve ser feito quando os cetáceos encalham ?
Vale
lembrar que os cetáceos estão sobre proteção legal no Brasil.
Portanto, a primeira ação que deve ser tomada é notificar as autoridades
e especialistas locais o registro do encalhe, tanto de animais
vivos quanto de animais mortos.
·
Cetáceos
vivos
O
tempo entre a descoberta do cetáceo encalhado vivo e a chegada
do time responsável, pode ser utilizado por voluntários para aliviar
o estresse e melhorar as chances do animal sobreviver. Todo animal
encalhado vivo encontra-se estressado e necessita de socorro.
O fundamental é prevenir outras injúrias e manter o animal confortável,
minimizando o sofrimento.
Primeiros
Socorros - O que fazer?
1.
Contatar
os especialistas o mais rápido possível e aguardar sua chegada
junto ao animal. Informe-os sobre que tipo de cetáceo encontra-se
encalhado - baleia, boto ou golfinho -
as condições do animal e o número de animais envolvidos,
para que já seja providenciado o suporte logístico necessário.
2.
Se
pequeno, o animal deve ser colocado em uma posição estável, com
o ventre voltado para baixo e devem ser cavados buracos na areia
para acomodar suas nadadeiras peitorais e caudal, de forma que
esse não fique apoiado sobre suas nadadeiras peitorais
3.
O
animal deve ser colocado fora da zona de maré e protegido contra
lacerações que podem ser infringidas por pedras ou conchas
4.
Remover
a areia e água acumuladas em seu orifício respiratório
5.
Fazer
um abrigo simples para manter o animal à sombra. Pode ser com
uma lona ou uma toalha apoiada em algumas estacas
6.
Manter
o corpo do animal úmido. Aplique toalhas ou panos de cores claras,
encharcados com água do mar sobre o corpo do animal. As toalhas
ou panos devem ser claras pois cores escuras absorvem muito calor
7.
Não
obstrua o orifício respiratório (situado no alto da cabeça) com
panos ou outros objetos
8.
Aplique
lanolina ou vaselina nas áreas expostas ao sol
9.
Coopere
no controle de ruídos e no afastamento de curiosos. Se preciso,
solicite ajuda da autoridade policial
10.
A
noite, não permita que luzes ou flashes sejam acionados diretamente
sobre os olhos do animal
Lembre-se:
Mové-lo,
libertá-lo e/ou transportá-lo são tarefas que devem ser realizadas
pelo pessoal especialista no assunto.
Caso
trate-se de um encalhe em massa, é fundamental organizar uma equipe
de voluntários. A integridade do grupo pode ser importante para
a sobrevivência e libertação.
O
que não fazer:
1.
Nunca
permanecer perto da cabeça e da nadadeira caudal
2.
Não
puxar o animal pela cabeça, nadadeiras peitorais e nadadeira caudal
3.
Não
cobrir o orifício respiratório
4.
Não
deixe entrar água e areia no orifício respiratório
5.
Não
aplicar protetores ou bloqueadores solares na pele do animal
6.
Não
tocar no animal mais do que seja necessário
·
Cetáceos
mortos
1.
Procure
elaborar uma boa descrição do animal e das condições do encalhe
2.
Se
possível, tire fotografias do animal encalhado, principalmente
da cabeça, nadadeiras peitorais, dorsal e caudal, além de uma
vista lateral do corpo. Fotografe qualquer marca no corpo do animal,
como por exemplo feridas, machucados, cicatrizes, marcas de rede
de pesca e parasitas
3.
Preencha
a ficha em anexo, procurando incluir o maior número possível dos
dados solicitados. Em caso de encalhe em massa, deve ser preenchida
uma ficha para cada animal em trabalho voluntário junto aos especialistas
4.
Lembre-se
que todo o cuidado deve ser tomado para evitar uma possível contaminação,
pois não se sabe a causa da morte do animal. Use sempre lulas
(do tipo cirúrgico) e lave bem as mãos com desinfetante
5.
Colabore
no controle de curiosos, para evitar danos e mutilações ao corpo
do animal morto, pois esse é de grande interesse para a pesquisa
científica.
6.
Avise
aos pesquisadores e se possível, aguarde sua chegada junto ao
corpo do animal.
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download da Ficha de encalhe |
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