Foto: Bia Hetzel
Campanha de educação ambiental sobre os cetáceos da baía da Ilha Grande

Uma iniciativa que obteve sucesso com os golfinhos-rotadores de Fernando de Noronha partiu para a baía da Ilha Grande. Baseado no trabalho desenvolvido no arquipélago, foi realizada a Campanha de Educação Ambiental sobre os Cetáceos da Baía da Ilha Grande. Essa teve como ponto de apoio à elaboração e produção do livro “Baleias, botos e golfinhos: Baía da Ilha Grande”, cujo objetivo era o de conscientizar o público em geral sobre as espécies que ali podem ser encontradas e as principais ameaças as quais estão sujeitas, despertando o interesse das pessoas pela conservação desses magníficos animais.

Ricamente ilustrado, o livro contém um capítulo introdutório sobre a baía da Ilha Grande, informa sobre a biologia, o comportamento e a ecologia dos cetáceos e dá dicas de como protegê-los e ao seu hábitat. A publicação contém ainda um guia de identificação das espécies de cetáceos registradas na área e modelos para reprodução de fichas de avistagem e encalhe. Utilizando-se de uma linguagem didática, de fácil compreensão, o livro foi editado num formato compacto que visa fundamentalmente a facilitar seu transporte para o campo.

Foram visitadas as principais comunidades dos locais onde havia mais chance de avistagem e/ou encalhe de cetáceos na baía da Ilha Grande, principalmente na região de Paraty e na ilha Grande, locais mais preservados.

Nas escolas e vilas de pescadores dessas comunidades foram ministradas palestras sobre os animais e as ameaças à sua conservação e distribuídos os livros. As palestras realizadas em locais onde havia iluminação elétrica foram ilustradas com uma projeção de 120  slides especialmente preparada para este propósito.

Com o objetivo de divulgar a campanha de educação ambiental e o livro nas escolas municipais de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty foram promovidas visitas às secretarias de educação e ministrados treinamentos para os professores para maximizar o aproveitamento do livro como leitura didática. O numero de livros doados às secretarias foi proporcional ao número de alunos de cada município, dando prioridade as escolas situadas em ilhas e locais onde o acesso só é feito de barco.

O lançamento do livro e da campanha foram amplamente divulgados na região, na imprensa e junto às principais instituições e projetos de pesquisa ligados ao meio ambiente. Foram recebidas várias cartas de leitores oferecendo sua colaboração voluntária na campanha e solicitando exemplares do livro e/ou informações sobre o projeto. Fichas de campo de avistagens e encalhes foram recebidas e dessa forma, recolhidos mais dados sobre a presença de cetáceos na região.

No Rio de Janeiro, em conseqüência das matérias publicadas sobre o projeto divulgadas na imprensa e da adoção do livro “Rosalina: A pesquisadora de homens” fomos convidados por várias escolas, fundações e universidades a oferecer palestras similares às ministradas na baía da Ilha Grande.

Visando a minimizar o impacto do lixo e da poluição sobre o ambiente marinho e especialmente sobre os cetáceos, durante as atividades do II Ateliê do Artista (organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e pelo Jornal O Dia), quando o livro "Rosalina" foi trabalhado com aproximadamente 900 crianças das escolas municipais do Rio de Janeiro, e também no lançamento do livro "Mati e Rita: a orca e a caiçara", no Rio de Janeiro, foram divulgadas informações básicas sobre a problemática do lixo e a conservação dos ambientes marinhos e também sobre a presença dos cetáceos na região da baía da Ilha Grande.

Treinamentos para o salvamento de baleias e golfinhos encalhados vivos

"Qual a primeira providência que deve ser tomada quando encontramos golfinhos encalhados vivos?"

No dia 12 de julho de 1997, seis golfinhos-de-dentes-rugosos (5 adultos e 1 juvenil) encalharam vivos no mangue da boca do rio Cairuçu, localizado ao fundo do Saco do Mamanguá.
Os golfinhos provavelmente seguiram os cardumes de tainhas, que nesta época desovam nas proximidades dos rios da região, e acabaram presos numa armadilha de maré, no mangue. Isso nos motivou a realizar na região treinamentos para o salvamento de golfinhos e baleias encalhados vivos.

"- Colocá-los imediatamente em uma posição estável, desvirando-se se for o caso, para manter livres os movimentos das nadadeiras, e retirar a areia, o lodo e qualquer material que esteja cobrindo o corpo do animal."

Os treinamentos foram direcionados as comunidades das praias do Cruzeiro (saco do Mamanguá), Grande e de Tarituba e aos habitantes e visitantes da cidade de Paraty. O evento foi realizado em conjunto com a Secretaria de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente de Paraty a Secretaria Municipal de Educação de Paraty. As equipes do Corpo de Bombeiros e da Capitania dos Portos de Paraty também participaram dos treinamentos, que tiveram ampla cobertura do canal de TV local, a ECO TV.

Os treinamentos obtiveram um grande sucesso especialmente junto às crianças, que se divertiram com as atividades lúdicas propostas pela equipe do Projeto Golfinhos e ao mesmo tempo aprenderam a salvar os animais encalhados.

Os principais assuntos abordados durante o treinamento foram : 1) Espécies de baleias e golfinhos que ocorrem na região, 2) O que atrai os cetáceos à costa ?, 3) Possíveis causas dos encalhes, 4) Decisões e critérios a serem tomados, 5) Determinação das condições do(s) animal (is), 6) Isolamento do local do encalhe, 7) Suporte logístico e equipamentos, 8) Primeiros socorros, 9) Manuseio, resgate e libertação, 10) Cuidados especiais para evitar riscos para humanos e 11) Responsabilidades e recrutamento.

Os habitantes das praias do Cruzeiro, Grande e de Tarituba superaram nossas expectativas e lotaram os cursos de treinamento, onde apresentaram perguntas e propostas práticas que certamente ajudarão a minimizar o sofrimento das espécies de cetáceos que podem vir a encalhar na região.

A Cavalo Marinho Tours, empresa de turismo ecológico que atua em Paraty, por iniciativa própria, distribuiu folhas para ser anexadas nos barcos de turismo da região, contendo informações sobre primeiros socorros que devem ser ministrados para cetáceos encalhados vivos.

Anualmente, alguns golfinhos e baleias encalham vivos na costa brasileira e na maioria das vezes não tem a sorte de serem resgatados e salvos. Durante esses encalhes, uma série de preciosas informações podem ser obtidas pelos especialistas.

É muito importante, portanto, que outros grupos de estudos de cetáceos realizem este tipo de treinamento em suas diferentes áreas de atuação ao longo da costa. Desta forma, será possível reduzir o sofrimento e a mortalidade desses animais já tão prejudicados por ações humanas, como por exemplo as capturas acidentais em redes de pesca, as colisões com embarcações e a degradação de seus hábitats.

:. Os seguintes livros foram utilizados em outras campanhas de Educação Ambiental do Projeto Golfinhos:

Mati e Rita: A orca e a caiçara

Texto: Bia Hetzel

Ilustrações: Graça Lima

Editora: Manati, Rio de Janeiro

Uma menina caiçara aproxima-se das “matis” (orcas) da baía da Ilha Grande e torna-se sua amiga. Além de informar sobre ecologia, a história trata do iminente desaparecimento de uma cultura tradicional brasileira que, ao longo dos séculos, aprendeu a viver em harmonia com a natureza.
A narrativa poética, ilustrada por fotografias da autora e desenhos coloridos de Graça Lima, cativa o leitor, fazendo-o refletir sobre que tipo de “progresso” buscamos para o nosso país. No final do livro, uma ficha generosa e clara informa sobre a história de ocupação da baía da Ilha Grande, seus principais ecossistemas e tudo que a ciência já descobriu sobre as orcas!

Menção Altamente Recomendável (categoria Informativo), FNLIJ/1998

Temas: meio ambiente e pluralidade cultural
Indicação: 3ª a 6ª séries do ensino fundamental
Apoio à edição: 1ª RioArte/ Lei Municipal
Patrocíno Clínica São Vicente
4ª edição (1ª edição, 1998)
Formato 22 x 30cm, 44 p.
ISBN 85-86218-03-0

Tem aiaiá em Itaipu

Texto: Bia Hetzel

Ilustrações: Graça Lima

Editora: Manati, Rio de Janeiro

Dois garotos descobrindo a importância do meio em que vivem. Uma linda lagoa desaparecendo dia após dia, aqui no Brasil, perto de nós, aos nossos olhos! A linguagem simples, o ritmo embalado, as risadas e surpresas que nos fazem sentir o prazer de virar cada página do livro transformam sua importante mensagem ecológica em uma conquista a mais para o leitor. Ilustrado por desenhos de Graça Lima e por fotos da autora, a obra revela a presença de um bando de colhereiros na laguna de Itaipu, no estado do Rio de Janeiro. O clima de urgência causado pela realidade da trama mobiliza o leitor para o desaparecimento de dois importantes patrimônios brasileiros: as áreas úmidas e os sítios arqueológicos.

Incluído no acervo básico da FNLIJ

Temas: meio ambiente, áreas úmidas, manguezais
Indicação: 2ª a 5ª séries do ensino fundamental
2ª edição (1ª edição, 1998)
Formato 22 x 30cm, 20 p.
ISBN 85-86218-04-9

Rosalina: a pesquisadora de homens

Texto: Bia Hetzel

Ilustrações: Graça Lima

Editora: Brinque-Book, São Paulo

Obra que marcou a estréia de Bia Hetzel como autora de livros para crianças, em 1994, e que hoje pode ser considerada um clássico da literatura infanto-juvenil brasileira moderna. Comemorando os 10 anos de vida de Rosalina, a Manati preparou uma edição especial mantendo as ilustrações de Graça Lima e o projeto gráfico de Silvia Negreiros. O livro narra as aventuras de uma baleia-jubarte — espécie ameaçada de extinção — em águas brasileiras. Segundo Margareth Mattos, em parecer preparado para a FNLIJ: “do texto ficcional emergem informações importantes sobre a espécie a que pertence Rosalina - como vive, como se reproduz, se alimenta -, os riscos que corre pela ação predatória do homem e como esta ação pode ser revertida. No entanto, isto não torna o texto maçante ou excessivamente didático, pelo contrário. O valor da obra reside justamente no fato de que as informações são veiculadas de forma lúdica e atraente, despertando o interesse dos leitores.”

Prêmio Jabuti “Autor Revelação de Literatura Infantil” CBL 1994
Menção Altamente Recomendável (categoria Informativo), FNLIJ/1995
Temas: baleias-jubarte, meio ambiente, ética
Indicação: a partir da 3a série do ensino fundamental
Patrocínio da 1ª edição: Petrobras
10ª reimpressão (1ª edição, 1994)
Formato 22 x 30cm, 36 p.
ISBN 85-85357-97-5

Piraiaguara

Texto: Bia Hetzel

Ilustrações: Graça Lima

Editora: Ática, São Paulo

Ao retratar a Baía de Guanabara sob a ótica de um boto-cinza, o livro informa, conscientiza e ao mesmo tempo cativa o pequeno leitor, levando-o a explorar ângulos e aspectos esquecidos da baía. O maior mérito do texto talvez seja transformar a visão do leitor sobre a Baía de Guanabara, que passará a ser reconhecida como um oganismo vivo. O texto literário mistura ficção com realidade. Todos as referências geográficas, históricas e ecológicas sobre a Baía de Guanabara e os botos-cinza são verdadeiras. A ficção leva a criança a se identificar com a história, fazendo do boto-cinza e da Baía de Guanabara  personagem e cenário queridos pelo leitor. No final do livro há uma parte informativa, com a ficha técnica do boto-cinza e dos principais destaques da geografia, fauna e flora, e história de ocupação da Baía de Guanabara.

Incluído no acervo básico da FNLIJ
Temas: meio ambiente, Baía de Guanabara, boto-cinza
Indicação: a partir da 2ª série do ensino fundamental
1ª edição, 2000
Formato 22 x 30cm, 40 p.
ISBN 85-08-07461-1