DISSERTAÇÃO

Nome: Liliane Lodi

Título: Uso do hábitat e preferências do boto-cinza, Sotalia fluviatilis (Cetacea, Delphinidae) na Baía de Paraty, Rio de Janeiro

Instituição: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Orientador: Dr. Luiz Antonio Pereira

Data da defesa: 28 de fevereiro de 2002

Local: Rio de Janeiro

 

 

RESUMO

Este estudo examina as determinantes ambientais e comportamentais do uso do hábitat e preferências do boto-cinza (Sotalia fluviatilis) na Baía de Paraty, sul do Rio de Janeiro, entre outubro de 2000 e setembro de 2001. Foram realizados 36 cruzeiros, perfazendo 14.865 minutos de esforço amostral, dos quais 45,1% de observação direta. As avistagens foram efetuadas nas quatro estações, com uma freqüência de 94,5%, totalizando 54 grupos (1.754 indivíduos, média  = 32,4). A presença dos botos na baía deve-se à variedade de nichos ecológicos, biodiversidade de presas, ausência de predadores e às águas rasas, protegidas e quentes. Os setores 3 e 4 da baía foram considerados de uso intenso,  o 5 de uso médio, enquanto os setores 1 e 2 tiveram uso ocasional. As atividades observadas incluíram: forrageamento/alimentação (61,6%), deslocamento (35,5%) e socialização/brincadeiras (2,9%). O uso do espaço, comportamento, tamanho e composição dos grupos de S. fluviatilis estiveram significativamente correlacionados às características físicas e oceanográficas, que determinam a disponibilidade dos recursos, maximizando para os botos a utilização do ambiente. A dependência dos botos a microhábitats favoráveis (estuários, manguezais, canais, ilhas, lajes, áreas de maior circulação de água, baixios e substratos lodosos), dentro de sua limitada distribuição costeira, torna-os vulneráveis às interferências antrópicas. Medidas protegendo os botos e seus microhábitats devem receber prioridade nas considerações de manejo.

 

MONOGRAFIA

 

Nome: Samuel Gomes de Farias Júnior

Título: Status e conservação de Orcinus orca (Cetacea, Delphinidae)

Instituição: Universidade de Santa Cecília

Orientador: M Sc. Liliane Lodi

Data da defesa: 16 de dezembro de 2002

Local: Santos, São Paulo

 

 

RESUMO

 

A orca, Orcinus orca, é uma espécie cosmopolita sendo um dos cetáceos que apresentam mais ampla distribuição geográfica. Porém, poucas são as informações disponíveis sobre orcas em águas juridiscionais brasileiras. O presente estudo tem como objetivo traçar um diagnóstico sobre a espécie através da compilação de registros publicados e não-publicados de encalhes e avistagens. Entre 1976 e 2002, foram reunidos um total de 100 registros (encalhes, n = 15 e  avistagens, n =85), entre o Rio Grande do Sul (34º59’S) e Ceará (03º34’S). A região sul apresentou o maior número de encalhes (n = 9) e o sudeste o maior número de avistagens (n = 69). A partir da década de 1990 observou-se um aumento significativo desses registros. No sul os encalhes foram predominantes na primavera e no sudeste no inverno. As avistagens foram mais freqüentes na primavera. Uma maior porcentagem dos indivíduos encalhados tratavam-se de fêmeas sexualmente maturas. O tamanho dos grupos variou de um a 20 indivíduos, com uma média de 4,4 indivíduos/grupo. Verificou-se uma maior porcentagem de machos entre os indivíduos solitários. Filhotes foram observados entre junho e fevereiro, sendo mais freqüentes no inverno. O deslocamento foi o comportamento que prevaleceu. As avistagens foram predominantes em águas costeiras nas isóbatas compreendidas entre 10 e 30 metros. Torna-se necessário investigar melhor a ocorrência de orcas na região nordeste e obter informações sobre a presença da espécie na região norte, ainda inexistentes. O. orca alimenta-se de uma ampla diversidade de presas tais como tunicados, cefalópodes, teleósteos, elasmobrânquios, cetáceos e aves marinhas, tanto em áreas costeiras quanto oceânicas. Entre as principais ameaças à sua conservação, destaca-se a interação com a pesca de epinhel, esportiva e artesanal com redes de emalhe, além da aproximação imprudente por parte dos humanos. A degradação do hábitat, a poluição sonora, química e proveniente de lixo flutuante e a redução da disponibilidade de presas podem constituir ameaças. No entanto, maiores informações nesse sentido ainda necessitam ser levantadas. A realização de estudos comportamentais, bioecológicos, genéticos e de foto-identificação são fundamentais para a aquisição de maiores informações sobre O. orca no Brasil, auxiliando dessa forma, a formulação e adoção de  medidas efetivas para a conservação da espécie.