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De
aparência estranha e brincalhão, desperta a curiosidade das pessoas.
Afinal, quem é esse golfinho maroto?
Esse
bicho é tão diferente...
Grandalhão e inteligente...
Será que é toninha, golfinho ou boto???
Será que ele faz mal pra gente???
O bicho é sempre o mesmo, seu moço,
o
nome é que tanto faz!
Cada um que o chame de um jeito!
Não existe apelido perfeito.
Minha cabeça tá dando um nó...
Muito nome dá confusão!
Vamos escolher um só!
Seu Pesquisador tem idéia, não?
Pesquisador parou e pensou:
"o que ele tem de diferente?"
já
sei!: os dentes não são lisinhos
como
os dos outros golfinhos!
os
dentes são cheios de rugas,
são
como os dentes da gente!
Fez-se então o batizado,
com
festa, ciranda e fogos,
do
sorridente e gaiato
"golfinho-de-dentes-rugosos"!

Com
aquela bocona branca,
e
a cabeça em forma de cone,
parece
palhaço ou carranca!
Que bicho mais engraçado,
e
como é pomposo o nome
desse
boto do dente enrugado!
Galha grande, dorso escuro,
barriga
alva ou cor-de-rosa,
esse
boto é todo manchado!
Eu, hein, Rosa!, que bicho mais gozado!
Vejam só como é esperto,
vejam
só como ele é prosa!
Tira a cara fora da água
e
espia ao redor,
salta,
depois bate a cauda,
a
coreografia ele sabe de cór.
Mergulha fundo depois volta
pega
fôlego, prende o ar e solta,
E no caminho também vai pegando
o
que encontra por aí boiando.
Mas, vejam só, o que é isso
que
ele vem trazendo no bico?
Ai, que vergonha, é lixo!
Ai, caramba, que mico!
Será que esse boto
tá me chamando de bobo
com
esse sorriso maroto,
e
o lixo preso no bico?
"Comida de toninha é peixe!
E eu sou muito exigente!
Da tainha, tiro a cabeça e as tripas,
do
peixe-espada, faço tiras.
E no mar também não tem lula
que
escape da minha gula!
Até polvo aprendi a caçar,
nas
fazendas que puseram no mar!
Mas o lixo nos deixa doentes,
lixo
pode até nos matar!
Saco plástico preso na goela,
faz
toninha sufocar!
Ô seu moço, guarde bem este saco,
que
é pra ele não voar!
Se você ficar meu amigo
eu
vou mergulhar contigo!
Ô, vida boa, põe a cara na proa
e
vem navegar comigo!
Na marola eu salto e surfo,
vou
mostrando tudo o que sei,
vou
dando meu aviso
vou
mostrando meu manto de rei.
Se nessas águas me encontram
todos
sabem porque cheguei.
Vim descansar, vim comer,
vim
ensinar meus filhotes a viver!
Essa água quente e rasa
escolhi
para minha casa.
Em outros lugares do mundo
até
prefiro a profundeza,
mas
no Brasil virei bicho costeiro,
virei
boto brasileiro,
porque
aqui encontrei mais beleza
pro
meu espírito aventureiro.
Ô seu moço, não pesque de arrasto!
Não me jogue pedra ou arpão!
Parelha, bomba, explosivo
mas
que idéias de jerico!
Se o pescado acabar,
nós
dois vamos nos ferrar!
Nós dois dependemos do mangue,
onde
nasce a vida do mar!
Todo lixo, esgoto, óleo e agrotóxico
que
o senhor na água cisma em jogar
fazem
mal pro sangue dos peixes
que
a gente precisa pescar!
Ô seu moço, ouça o meu aviso
Ô seu moço, eu sou seu amigo!
se
o senhor poluir a água e o ar,
nós
os dois vamos nos ferrar!
Esta água quente e rasa
escolhi
para minha casa.
Se o senhor é vizinho ou visita,
seja
limpo, seja ordeiro,
e
nunca, jamais, se esqueça
que
eu cheguei aqui primeiro!
Ô seu moço, tome cuidado!
não
suje o mar, seja bem-educado!
Dia desses vou morar na profundeza
levando
no coração essa tristeza.
Dia desses acabo indo embora,
e
o senhor, onde irá nesta hora?
Ô seu moço,
vou
ter que findar o repente,
mas
veja, dê tratos à bola,
o
senhor é tão grandalhão, tão inteligente...
Será que não percebe,
o
mal que pode fazer pra gente???"

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Esse bicho é tão
diferente...
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Baleias
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Encalhe de baleia-jubarte viva no Rio de Janeiro
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