A avistagem de baleias, botos e golfinhos na natureza é uma experiência única e enriquecedora. Quem pode permanecer indiferente a uma baleia-jubarte de 90 toneladas lançando-se ao ar, com o tranqüilo nado das baleias-francas-do-sul acompanhadas de seus pequenos filhotes, assim como as orcas, majestosas predadoras do topo da cadeia alimentar marinha, e com os espetaculares e graciosos saltos dos golfinhos ? Saiba como proceder corretamente no caso de uma avistagem causando o menor distúrbio possível e ajudando os pesquisadores na coleta de informações.

:. A avistagem

Ao longo da última década, a observação de cetáceos na natureza tem se tornado uma atividade entusiasmante e de crescente popularidade em todo o mundo e o Brasil não tem sido exceção.

Sob condições naturais, a observação dos cetáceos apresenta inúmeras dificuldades, por tratarem-se de animais de grande vagilidade, passando a maior parte de suas vidas ocultos abaixo da superfície da água. Na respiração, esses mamíferos vêm à tona por curtos intervalos de tempo, expondo apenas cerca de 1/3 da superfície do corpo, tornando, sob essas condições, praticamente impossível a determinação da idade e do sexo visto que, na maioria dos representantes dessa ordem há inexistência de dimorfismo sexual. Além disso, muitas espécies de cetáceos deslocam-se rapidamente, possuem ampla distribuição geográfica e são esquivos.

A avistagem consiste na observação de um ou mais cetáceos no meio selvagem. Existem várias maneiras de se observar os cetáceos ao redor do mundo: do ar (em helicópteros e outros tipos de aeronaves), da costa (em pontos fixos que apresentem boa visibilidade da área em questão) ou a bordo de diferentes tipos de barcos – o que  chamamos de plataformas de observação.

Foto: Projeto Golfinhos

É geralmente feita por pesquisadores que realizam cruzeiros com o objetivo de fazer levantamentos sobre a distribuição, estimativas de população, ameaças, associações com o hábitat, entre outros. Os equipamentos utilizados e a metodologia variam dependendo da espécie de interesse, dos recursos financeiros, da disponibilidade de equipamentos e do objetivo do levantamento. Observações em pontos fixos da costa também são utilizadas quando apropriadas, dependendo da espécie, seus hábitos e o enfoque da pesquisa.

Pode acontecer que a avistagem seja feita por uma pessoa leiga que tenha interesse em colaborar com a pesquisa. Neste caso, a pessoa geralmente leva consigo um guia de identificação quando vai fazer alguma saída de barco. Câmara fotográfica ou de vídeo, e binóculos também fazem parte da bagagem de um observador de cetáceos.

Dados sobre avistagens de cetáceos são de grande valia para a pesquisa. Por isso, incluímos um modelo de ficha padronizada, indicando as mais importantes informações que devem ser observadas e registradas. Contudo, como a identificação de algumas espécies é bem complicada, costuma-se anexar as fichas uma cópia de todo o material fotográfico ou de vídeo disponível. Quando não existem fotos ou vídeo, o observador pode anexar desenhos com as principais características morfológicas externas e o padrão de coloração.

As fichas de avistagem, assim como as de encalhe, nunca são passadas a limpo, para que nenhuma informação se perca.

Existem dois regulamentos tidos como fundamentais para o sucesso em observar cetáceos: em primeiro lugar, o mais importante é causar o menos de distúrbio possível e o segundo é ser paciente.

:. Um simples código de conduta ajuda a reduzir o nível de distúrbio durante uma avistagem:

- Diminua e mantenha lenta a velocidade do barco, evitando mudanças bruscas tanto na velocidade quanto na direção

- Mantenha uma distância mínima de 100m dos animais

- Nunca tente se aproximar pela direção da cabeça dos animais

- Não os persiga

- Não force a aproximação e o contato

- Não interrompa o curso do deslocamento de um cetáceo

- Não tente cruzar, alterar ou dirigir a rota de deslocamento dos animais

- Não separe ou disperse grupos de cetáceos

- Ainda que respeitada a distância mínima estipulada (100m), não permaneça mais do que 30 minutos com o (s) animal (is)

- Evite produzir ruídos em excesso

- Não despejar qualquer tipo de detrito, iscas artificiais e alimentos na água

- Se o cetáceos se aproximarem do barco por livre e espontânea vontade (sem, naturalmente, nadar na proa) desligue o motor do barco e volte a religá-lo após avistar claramente o cetáceo na superfície ou a uma distância de, no mínimo, 50m da embarcação

- Caso esteja em uma aeronave, nunca permaneça a uma altura inferior a 100m sobre o nível do mar

:. Lembre-se:

As baleias necessitam de amplo espaço para realizar suas atividades e não se sentirem acuadas. Vários barcos se aproximando pode ser estressante para o animal e existe sempre o risco das hélices causarem injúrias. Especialmente no caso das baleias, a perseguição poderia resultar em colisão, provocando graves avarias na embarcação e sérios ferimentos no animais. Sem o devido cuidado e atenção, a hélice do barco pode causar sérias injúrias e o barulho e o movimento do barco podem causar aos animais estresse desnecessário.

Em áreas onde é significativa a presença de cetáceos, é possível que as embarcações cruzem com esses animais em suas rotas. A noite, ou em dias de pouca visibilidade, é importante estar atento em áreas de ocorrência de baleias, que costumam descansar “boiadas” na superfície e podem colidir com barcos silenciosos (como veleiros) ou muito rápidos (navios e lanchas).

É provável que cetáceos curiosos se aproximem espontaneamente da embarcação. Algumas espécies de odontocetos costumam nadar na proa dos barcos ou nas ondas deixadas quando eles se deslocam. Os motivos que os levam a fazer isso podem ser vários. No entanto, a razão mais aceita é a de que a correnteza provocada pelo deslocamento do barco faz com que os odontocetos que se mantêm junto a proa praticamente não tenham que fazer esforço para se deslocar: a “carona” oferecida involuntariamente seria o atrativo para os animais. Nessas situações, surge uma ótima oportunidade para observar os animais de perto.

Em várias partes do mundo existem regras ou leis para proteger os cetáceos de pessoas irresponsáveis. Essas variam de acordo com a localidade e a espécie (Ver: Legislação Brasileira de Proteção aos Cetáceos).

:. Equipamentos:

Vários equipamentos são úteis para a observação de cetáceos. Binóculos são valiosos para localizá-los, identificar a espécie e observar seu comportamento. Uma câmera fotográfica, de preferência com motor drive, ou equipamentos de filmagem ajudam a registrar a observação. O local da avistagem deve ser preferencialmente marcado por um Sistema de Posicionamento Global (GPS). Não deixe de levar lápis, caderno de anotações e cópias do modelo da ficha de avistagem.

Utilize bolsas ou mochilas a prova de água para colocar seu equipamento. Em um país tropical como o Brasil alguns cuidados devem ser tomados para o seu melhor conforto. Procure usar roupas leves e claras, óculos, bonés, protetor e bloqueador solar. Leve pílulas contra enjôos, além de ingerir muito líquido.

:. download da Ficha de avistagem


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